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Jornal Metro

O maior jornal diário do mundo

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Sonic Youth, a ternura dos 30

Foto de Sage Ranaldo, filho de Lee

 

Lee Ranaldo, guitarrista e fundador dos Sonic Youth, em entrevista ao METRO. Lee toca hoje, quarta-feira, na Galeria ZDB, com Rafael Toral (€10] e amanhã, quinta, e depois, sexta-feira, nos Coliseus de Lisboa e Porto, respectivamente. Os Sonic Youth celebram, em 2011, 30 anos de carreira.

 

O que vai tocar no concerto com o Rafel Toral?
Vai ser um concerto entre aquilo que eu costumo tocar, mais o que o Rafael toca. Nós partilhamos muito os mesmos interesses na música e trabalhámos juntos algumas vezes, entre amigos e colaborações. Acho que é, basicamente, um encontro de improvisos. O Rafael vai tocar um par de gongos e eu vou tocar a guitarra eléctrica. Vamos ver o que acontece.

Este espectáculo tem que ver com aquilo que costuma fazer a solo, de experiências sonoras, com guitarras penduradas no tecto, ou aquilo que fez com o projecto Text Of Light?
Até certo ponto será algo desse género. Tenho estado a experimentar a guitarra pendurada no tecto, através de cabos. Os Text Of Light é outra abordagem, mas também é um grupo de improviso, entre pessoas que partilham o mesmo vocabulário musical. Mas neste concerto com o Rafael acho que vai haver um certo aspecto meditativo. Vamos trabalhar entre os gongos e as guitarras.

Já alguma vez experimentou fazer isto com o Rafael?
Com o Rafael não. Mas já fiz algo similar com outra pessoa a tocar gongos, há uns dez anos. Mas tenho certeza que o Rafael tem qualquer coisa de especial para mostrar.

Este tipo de experiências musicais que faz fora dos Sonic Youth são também importantes para o trabalho que faz depois em conjunto com a banda? Ajuda-o, de certa forma, a libertar a sua criação?
Acho que se pode dizer isso. Mas nesta altura tornou-se uma parte muito natural da vida. Faço-o com alguma frequência. É uma espécie de criação e também muito pura, por ser espontânea, por não ser planeada. É muito o oposto de andar na estrada com uma banda a tocar canções e a tentar tocar canções que, até certo ponto, vão ser sempre as mesmas, todas as noites. O improviso é sempre diferente, o que acaba por ser até uma própria surpresa a nível pessoal e também um desafio.

Como guitarrista, estes concertos e experiências também podem ser aproveitadas para algo nos Sonic Youth?
Claro. Isso acontece sempre. E com todos. Porque todos nós fazemos outras coisas fora do grupo. E usamos estas inspirações quando a banda se reúne para trabalhar outra vez. Ajuda a manter as coisas equilibradas, de forma saudável. Pode ser muito refrescante tocar com variados músicos, experimentar coisas diferentes e depois levar essas ideias de volta para os Sonic Youth.

Vai passar uns dias aqui em Portugal, depois com dois concertos dos Sonic Youth, no Coliseu de Lisboa e Coliseu do Porto. São boas as memórias dos shows por cá?
Muito boas, mesmo. Sinto que os meus tempos em Portugal foram mesmo muito especiais e estou ansioso para voltar.

 

Falando um pouco dos Sonic Youth: como é que ao fim de 30 anos de banda convivem uns com os outros, agora com famílias pelo meio e tudo mais?
São apenas questões logísticas. Ainda mantemos o estúdio aqui em Nova Iorque onde trabalhamos. [Pausa] Algumas coisas mudaram, ao longo desse período de anos, mas a banda ainda se define por nós os quatro e pelo nosso interesse sobre as coisas, pelas coisas que tentamos alcançar. Quando nos juntamos, em certos aspectos, há algumas coisas que mudaram – sobretudo as famílias e mudar de casa – mas há aspectos que não mudaram nada. Há uma personalidade constante em cada um de nós. E acho que temos uma confiança muito grande no facto de fazermos algo interessante quando os quatro estão juntos...

Ainda mantém as mesmas fórmulas de trabalho, com uma grande democracia em estúdio?
Sim, é uma banda em que cada um tem direito à opinião e toda a gente trabalha para construir as canções, de maneira igual. Mas a forma como se criam canções, ao fim de mais de 30 anos, mudou um bocadinho. Queremos mudar as coisas, porque queremos inovar, mas não podemos mudar quem somos.

A propósito das famílias: é verdade que o seu filho mais velho, o Cody, também participou no último disco, “The Eternal”?
Acho que ele gravou algumas coisas, mas não chegou a tocar no disco. Fez foi algumas das fotografias do disco!

Ele também é músico, não é? Acha que foi buscar muitos genes artísticos ao pai?
Bem, não sei, mas espero que sim. Ele vai fazendo a música dele, é muito bom fotógrafo e há muitos interesses que partilhamos, nesse sentido.

Também o ajuda na música dele, ou vice-versa? Ele também lhe dá opiniões sobre a sua música?
Eu não o ajudo muito. Falamos algumas vezes, mas acho que há uma distância saudável. Ele sabe tanto o que nós [Sonic Youth] fazemos musicalmente que acho é melhor deixá-lo fazer as coisas por ele e não moldá-lo face às minhas ideias. Prefiro dar-lhe espaço.

No ano passado lançaram o “The Eternal”, mas já se diz que os Sonic Youth estão a pensar noutro disco e a querer ir para estúdio.
Bom, para já não estamos a pensar no novo disco. Ficámos muito felizes com o “The Eternal”, porque diz muito sobre o estado actual da banda. Sentimos que o disco foi muito bem sucedido e a digressão que fizemos também foi excelente. Foram uma série de canções que deram um enorme prazer tocar ao vivo. Por tradição este ano já estaríamos a pensar fazer outro álbum, mas tivemos tanto sucesso que voltar ao estúdio era repetir-nos. Então queremos fazer uma pausa este ano, aproveitar cada um de nós para projectos pessoais, afastarmo-nos um bocadinho da banda porque isto não pode ser um ciclo que arranca automaticamente.

É como o vinho: convém deixar descansar para depois saber melhor.
Exactamente!

Mas estão a preparar um DVD para este ano, certo?

Há muitos projectos que estamos a preparar. Esse DVD é sobre uma série de concertos que fizemos em 2008, do disco “Daydream Nation”. Vamos misturar imagens desses concertos com imagens de nós a gravar e a tocar esse disco em 1988 e 1989. Também temos um filme de 1991 a tentar publicar em 1991 e outro, imagens nunca vistas da digressão de 1986, do disco “EVOL”. Vamos ver se sai este ano.

Gostava de saber também a sua opinião sobre a cidade que vos viu evoluir, Nova Iorque. É um local especial em termos da história da música e da arte, sempre foi. Mas há quem diga que existe uma era artística antes e depois do mayor Rudolph Juliani, que acabou por influenciar o movimento. O que acha disto?
Bem, isso é verdade, existem essas duas eras. Mas cada uma delas tem coisas boas e coisas não tão boas. Mas de uma forma geral, Nova Iorque é uma cidade que vive e respira sobre os diferentes períodos, está em constante evolução. É um pouco o fascínio do local: há sempre coisas muito poderosas a acontecer, mesmo que sejam completamente diferentes de um tempo para o outro. Falando especificamente do que fez Juliani, o que aconteceu foi que, quando chegou, a cidade era muito mais sem lei e perigosa, mesmo fisicamente! Era complicado viver, havia muitos elementos de perigo, nos anos 70 e 80. Mas havia liberdades e podia encontrar-se um sítio barato para viver. É importante não esquecer que é uma ilha e funciona isoladamente. Eu comparo muito a Berlim, antes de o mundo cair – no sentido de estar muito isolada dentro dos EUA, com as suas ideias e estruturas. O que o Juliani fez foi limpar a cidade em vários sentidos. Poderia ter uma certa sujidade encantadora e isso perdeu-se. Também ficou uma cidade cara para viver, mas também mais segura. Hoje em dia é mais ou menos como outra cidade norte-americana, com lojas que nunca se viam, por exemplo, o K-Mart, que há em todo o lado. Perdeu algum sentido de individualidade, mas ganhou a segurança.

Ainda assim, sente falta desses dias, de quando era diferente?
Bem, nem por isso, porque experienciei e vivi esses dias. De forma geral, a ideia de mudança numa cidade costuma ser boa. Não lamento a perda desses aspectos. De certeza que no passado também aconteceram outras coisas que adorava ter visto, da mesma forma que fico feliz de ter vivido períodos como os do “Max’s Kansas City” ou o “CBGB” [night clubs de 1970, em Manhattan]. É apenas uma consequência da evolução das cidades.

 

 

Lee Ranaldo, a solo, no Chile, em Março de 2009

 

que vai tocar neste concerto que vai fazer com o Rafel Toral?
Vai ser um concerto entre aquilo que eu costumo tocar, mais o que o Rafael toca. Nós partilhamos muito os mesmos interesses na música e trabalhámos juntos algumas vezes, entre amigos e colaborações. Acho que é, basicamente, um encontro de improvisos. O Rafael vai tocar um par de gongos e eu vou tocar a guitarra eléctrica. Vamos ver o que acontece.

Este concerto tem algo a ver com aquilo que costuma fazer a solo, de experiências sonoras, com guitarras penduradas no tecto, ou aquilo que fez com os Text Of Light?
Até certo ponto será algo desse género. Tenho estado a experimentar a guitarra pendurada no tecto, através de cabos. Os Text Of Light é outra abordagem, mas também é um grupo de improviso, entre pessoas que partilham o mesmo vocabulário musical. Mas neste concerto com o Rafael acho que vai haver um certo aspecto meditativo. Vamos trabalhar entre os gongos e as guitarras.

Já alguma vez experimentou fazer isto com o Rafael?
Com o Rafael não. Mas já fiz algo similar com outra pessoa a tocar gongos, há uns dez anos. Mas tenho certeza que o Rafael tem qualquer coisa de especial para mostrar.

Este tipo de experiências musicais que faz fora dos Sonic Youth são também importantes para o trabalho que faz depois em conjunto com a banda? Ajuda-o, de certa forma, a libertar a sua criação?
Acho que se pode dizer isso. Mas nesta altura tornou-se uma parte muito natural da vida. Faço-o com alguma frequência. É uma espécie de criação e também muito pura, por ser espontânea, por não ser planeada. É muito o oposto de andar na estrada com uma banda a tocar canções e a tentar tocar canções que, até certo ponto, vão ser sempre as mesmas, todas as noites. O improviso é sempre diferente, o que acaba por ser até uma própria surpresa a nível pessoal e também um desafio.

Como guitarrista, estes concertos e experiências também podem ser aproveitadas para algo nos Sonic Youth?
Claro. Isso acontece sempre. E com todos. Porque todos nós fazemos outras coisas fora do grupo. E usamos estas inspirações quando a banda se reúne para trabalhar outra vez. Ajuda a manter as coisas equilibradas, de forma saudável. Pode ser muito refrescante tocar com variados músicos, experimentar coisas diferentes e depois levar essas ideias de volta para os Sonic Youth.

Vão passar uns dias aqui em Portugal. São boas as memórias dos concertos por cá?
Muito boas, mesmo. Sinto que os meus tempos em Portugal foram mesmo muito especiais e estou ansioso para voltar.

Falando um pouco dos Sonic Youth: como é que ao fim de trinta anos de banda convivem uns com os outros, agora com famílias pelo meio e tudo mais?
São apenas questões logísticas. Ainda mantemos o estúdio aqui em Nova Iorque onde trabalhamos. [pausa] Algumas coisas mudaram, ao longo desse período de anos, mas a banda ainda se define por nós os quatro e pelo nosso interesse sobre as coisas, pelas coisas que tentamos alcançar. Quando nos juntamos, em certos aspectos, há algumas coisas que mudaram – sobretudo as famílias e mudar de casa – mas há aspectos que não mudaram nada. Há uma personalidade constante em cada um de nós. E acho que temos uma confiança muito grande no facto de fazermos algo interessante quando os quatro estão juntos...

Ainda mantém as mesmas fórmulas de trabalho, com uma grande democracia em estúdio?
Sim, é uma banda em que cada um tem direito à opinião e toda a gente trabalha para construir as canções, de maneira igual. Mas a forma como se criam canções, ao fim de mais de 30 anos, mudou um bocadinho. Queremos mudar as coisas, porque queremos inovar, mas não podemos mudar quem somos.

Falando de famílias: é verdade que o seu filho mais velho, o Cody, também participou no último disco, “The Eternal”?
Eu acho que ele gravou algumas coisas, mas não chegou a tocar no disco. Fez foi algumas das fotografias do disco!

Ele também é músico, não é? Acha que foi buscar muitos genes artísticos ao pai?
Bem, não sei, mas espero que sim. Ele vai fazendo a música dele, é muito bom fotógrafo e há muitos interesses que partilhamos, nesse sentido.

Também o ajuda na música dele, ou vice-versa? Ele também lhe dá opiniões sobre a sua música?
Eu não o ajudo muito. Falamos algumas vezes, mas acho que há uma distância saudável. Ele sabe tanto o que nós [Sonic Youth] fazemos musicalmente que acho é melhor deixá-lo fazer as coisas por ele e não moldá-lo face às minhas ideias. Prefiro dar-lhe espaço.

O ano passado lançaram o “The Eternal”, mas já se diz que os Sonic Youth estão a pensar noutro disco e a querer ir para estúdio.
Bom, para já não estamos a pensar no novo disco. Ficámos muito felizes com o “The Eternal”, porque diz muito sobre o estado actual da banda. Sentimos que o disco foi muito bem sucedido e a digressão que fizemos também foi excelente. Foram uma série de canções que deram um enorme prazer tocar ao vivo. Por tradição este ano já estaríamos a pensar fazer outro álbum, mas tivemos tanto sucesso que voltar ao estúdio era repetir-nos. Então queremos fazer uma pausa este ano, aproveitar cada um de nós para projectos pessoais, afastarmo-nos um bocadinho da banda porque isto não pode ser um ciclo que arranca automaticamente.

É como o vinho: convém deixar descansar para depois saber melhor.
Exactamente!

Mas estão a preparar um DVD para este ano, certo?
Há muitos projectos que estamos a preparar. Essa história do DVD é sobre uma série de concertos que fizemos em 2008, do disco “Daydream Nation”. Vamos misturar imagens desses concertos com imagens de nós a gravar e a tocar esse disco em 1988 e 1989. Também temos um filme de 1991 a tentar publicar em 1991 e outro, imagens nunca vistas da digressão de 1986, do disco “EVOL”. Vamos ver se sai este ano.

Gostava de saber também a sua opinião sobre a cidade que vos viu evoluir. É um local especial em termos da história da música e da arte, sempre foi. Mas há quem diga que existe uma era artística, em Nova Iorque, antes e depois do mayor Rudolph Juliani, que acabou por influenciar a arte. O que acha disto?
Bem, isso é verdade, existem essas duas eras. Mas cada uma delas tem coisas boas e coisas não tão boas. Mas de uma forma geral, Nova Iorque é uma cidade que vive e respira sobre os diferentes períodos, está em constante evolução. É um pouco o fascínio do local: há sempre coisas muito poderosas a acontecer, mesmo que sejam completamente diferentes de um tempo para o outro. Falando especificamente do que fez Juliani, o que aconteceu foi que, quando chegou, a cidade era muito mais sem lei e perigosa, mesmo fisicamente! Era complicado viver, havia muitos elementos de perigo, nos anos 70 e 80. Mas havia liberdades e podia encontrar-se um sítio barato para viver. É importante não esquecer que é uma ilha e funciona isoladamente. Eu comparo muito a Berlim, antes de o mundo cair – no sentido de estar muito isolada dentro dos EUA, com as suas ideias e estruturas. O que o Juliani fez foi limpar a cidade em vários sentidos. Poderia ter uma certa sujidade encantadora e isso perdeu-se. Também ficou uma cidade cara para viver, mas também mais segura. Hoje em dia é mais ou menos como outra cidade norte-americana, com lojas que nunca se viam, por exemplo, o K-Mart, que há em todo o lado. Perdeu algum sentido de individualidade, mas ganhou a segurança.

Ainda assim, sente falta desses dias, de quando era diferente?
Bem, nem por isso, porque experienciei e vivi esses dias. De forma geral, a ideia de mudança numa cidade costuma ser boa. Não lamento a perda desses aspectos. De certeza que no passado também aconteceram outras coisas que adorava ter visto, da mesma forma que fico feliz de ter vivido períodos como os do “Max’s Kansas City” ou o “CBGB” [night clubs de 1970, em Manhattan]. É apenas uma consequência da evolução das cidades.




Sonic Youth em Portugal

A banda nova-iorquina actua dia 22 de Abril no Coliseu de Lisboa e dia 23 no Coliseu do Porto. E poderá poderá vir já mostrar alguns temas do novo álbum que está agora a finalizar...

 

 

Aqui fica o preço dos bilhetes:

Coliseu de Lisboa (22 DE ABRIL)
Plateia em pé - €26,00 EUROS
Camarote 1ª (frente) -  €30,00 EUROS
Camarote 1ª (lado) - €28,00 EUROS
Camarote 2ª (frente) - €28,00 EUROS
Camarote 2ª (lado) - €26,00 EUROS

 

Coliseu do Porto (23 DE ABRIL)
Plateia em pé - €26,00 EUROS
Tribuna - €30,00 EUROS