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Jornal Metro

O maior jornal diário do mundo

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Entrevista com Grizzly Bear

 

 

 

Ed Droste é o vocalista e guitarrista dos Grizzly Bear. A banda vai estrear-se em Portugal na próxima semana, nos dias 26 de Maio no Coliseu de Lisboa e no dia 27 no Coliseu do Porto. O METRO falou com o músico - que mora actualmente em Brooklyn, Nova Iorque - e aqui fica a conversa que deu origem ao artigo que foi hoje publicado no jornal.

 

Esta vai ser a vossa primeira vez em Portugal. Tem algumas expectativas?
Ouvi de alguns amigos que Portugal é um muito divertido para se tocar, que o público é bem louco e barulhento. Vamos ver se as condições permitem um concerto porreiro, não sei se vai ser com cadeiras para se sentarem, ou não, e criar as condições de festa que os meus amigos me falaram.

Mas tem amigos em Portugal?
Tenho amigos que já tocaram em Portugal e me disseram isso.

Como tem corrido a digressão deste disco, "Veckatimest"? Já são muitos meses na estrada. Estão cansados?
Sim, tem sido um ano muito longo, mas neste momento estamos numa boa altura porque não é digressão constante. Tocamos aqui e acolá, dá para ter algumas semanas de férias entre concertos. O próximo é mesmo aí com vocês, em Lisboa e no Porto. Depois seguimos para o Primavera Sounds, em Espanha, e paramos outra vez. Depois Glastonury... o ano passado, no Outono, posso dizer que foi a digressão mais longa que já fiz: dez semanas, todas as noites um concerto. Eu não te vou mentir, cheguei ao fim dessas dez semanas e sentia-me muito cansado!

Então é uma boa altura do ano para vocês. Dá para ter férias. Nessas alturas aproveita para descansar ou não consegue largar a música?
Há algum descanso... tenho um cão para passear, vejo os amigos que deixo de ver durante muito tempo, a família... digamos que aproveito para me chegar junto das pessoas que deixamos de ver. Quando o primeiro disco sai, os primeiros seis a oito meses são longe de tudo. Quando voltamos: “Ah, tens um bebé”, ou “ah,vais-te casar!”. É um período para compensar o tempo perdido. E claro, vai-se sempre tentando fazer alguma música, mas aproveitar o bairro onde moramos. Gosto muito de cozinhar... bom sou muito doméstico.

E o Ed vive em Brooklyn, não é? O que é que se passa neste momento à volta dessa zona de Nova Iorque? Há um hype enorme e tantas bandas porquê?

Eu nasci em Massachussets, mas acho que aqui há um enorme apetite por música ao vivo, como resultado, há muitos sites e revistas. As hipóteses de alguém escrever sobre o teu concerto aqui em Brooklyn ou Nova Iorque são muito maiores do que se estiveres no Kansas, por exemplo. Ou até mesmo São Francisco. É o centro da música de hoje em dia, sobretudo Nova Iorque. Há muitas bandas que não são necessariamente de Brooklyn, que se mudam para cá e começam a fazer música. E depois há muitos bons sítios para tocar: grandes e pequenos. Dá para tudo!

É um movimento semelhante ao do grunge, em Seattle, de há 20 anos, mas com outra música: o movimento indie?
A questão é que há muitos, muitos tipos de música. Não é só o indie. E acho que é mesmo Nova Iorque. Há muitos artistas que dizem que são de Brooklyn, mas vivem em Manhattan. Não sei se vai durar muito, mas espero que sim, porque é óptimo viver aqui e descobrir novos artistas.

Ficaram surpreendidos com a recepção e o sucesso de “Veckatimest”?
Muito surpreendidos. Não esperávamos nada disto, mas são sempre coisas inesperadas, sobretudo na indústria da música. Não sabemos o que é as pessoas vão gostar ou durante quanto tempo é que vão gostar de algo. Para nós a grande novidade foi mesmo a Europa. O primeiro disco, “Yellow House”, não foi nada de especial, mas tínhamos o nosso público nos EUA e no Canadá. Foi como se tivéssemos estabelecido uma ideia de quem queríamos atingir. Só que com “Veckatimest”, na Europa, passámos do nível zero para... eu sei lá! As salas muito cheias e muito maiores do que aquelas onde já tínhamos tocado. Mas é tudo incerto, se calhar daqui a dois anos vamos ter 80 pessoas num concerto aí em Portugal, que sabe! (risos) Lisboa vai ser um concerto grande, mas acho que o Porto vai ser um concerto pequenino.

No Porto? Acha que vai ser mais pequeno?
Não faço ideia, mas eu já estive no Porto de visita e pareceu-me uma cidade pequenina. Mas se calhar tem uma grande cena musical por lá e eu não sei. Se calhar vamos ser surpreendidos, espero que sim!

Então já esteve em Portugal?
Sim, uma vez de férias, em 2000.

Apesar de tudo, a que acha que se deve o sucesso deste disco?
Eu nem diria que é um sucesso assim tão grande! Quer dizer, está a correr bem, mas não é uma explosão como Franz Ferdinand ou Arctic Monkeys. Não nos vão ouvir na rádio, nem nada.

Na rádio não, mas chegámos a ver-vos e a ouvir-vos num anúncio, na televisão. Acha que ajudou à fama?
Bem, não sei. O anúncio foi muito tempo depois do disco sair... Talvez na Europa tenha ajudado a ganhar alguma exposição. Para bandas do nosso tamanho são coisas que podem ser muito boa!

A verdade é que as pessoas hoje ouvem música de uma forma muito diferente.
É daquelas conversas que dá pano para mangas! Eu dou muito crédito à Internet. Acredito que sem blogs, sem revistas online os grandes media, como a televisão, não tinham chegado a nós. Por isso, em muitos aspectos, acho que a partilha de ficheiros e de discos é – frustrante, sim – mas a longo prazo a excitação da música é mais importante do que as perdas de dinheiro. É isso que faz as pessoas ir aos concertos. Mas sim, é verdade, as pessoas ouvem de forma diferente. Por exemplo, no iTunes compram-se as músicas e não os discos. Existe uma dissociação dos álbuns que pode ser muito frustrante. Mas por mim tudo bem, se uma pessoa gosta só de uma canção... é com eles, não conseguimos agradar a todas as pessoas.

Falando também do futuro dos Grizzly Bear. Já pensam noutro disco?
Temos qualquer coisa na cabeça, mas para nós é muito difícil escrever enquanto estamos em tournée. Preocupamo-nos muito e despendemos muita energia para fazer um bom espectáculo ao vivo e depois há os jet lag e tudo mais. É difícil concentrarmo-nos assim... Nós fazemos um disco quando decidimos parar, sair da cidade e recolhermo-nos todos juntos. Talvez este Outono comecemos a trabalhar em algo mais.

Mas sentem alguma pressão, depois de terem feito um disco que foi considerado dos melhores de 2009?
Sentimos sempre, um bocadinho. Mas a única coisa que podemos fazer é não deixar que dite aquilo que fazemos e tentar fazer música em que todos nós acreditemos. Sempre que essa pressão aparecer temos de pensar: “Será que eu gosto disso?”.  Não podem ser os outros a moldar o nosso julgamento.

 

 


Uma curiosidade, Ed: o Jay-Z diz que bandas como os Grizzly Bear ajudam o hip hop a ir mais longe. O que acha disso?
Eu fiquei muito honrado por o Jay Z ter vindo ao nosso concerto. Eu sou um grande fã de hip hop. Mas em relação a isso acho que ele quis dizer que há uma certa complacência e estagnação – porque continuam a apostar nas mesmas fórmulas, como samplar uma canção. Acho que quis dizer que como há tanta banda boa a explorar e a testar música, talvez seja altura de o hip hop fazer uma introspecção e ver como é que se pode reinventar as fórmulas.

 

 


E só então para terminar: o que podemos esperar dos concertos nos Coliseus?
É muito diferente do disco, mais bombástico, mais propulsivo. Acho que as pessoas vão ficar surpreendidas ao ver como a bateria é um elemento chave. E estou muito contente por podermos levar as nossas luzes todas, que eu adoro: são uma espécie de frascos com pirilampos lá dentro.