Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Jornal Metro

O maior jornal diário do mundo

Jornal Metro

O maior jornal diário do mundo

Entrevista com Expensive Soul

 

Neste “Utopia” os Expensive Soul parecem ter crescido um pouco mais, assumiram o funk, a soul e o hip hop como linhas orientadoras e talvez tenham deixado um pouco para trás as músicas com travo a reggae. É assim?
Max – Nós tínhamos era os singles com um som mais reggae. Tivemos uma música reggae em cada um dos discos. Calhou serem os singles e parece que ficámos neste registo. Mas temos outros sons e ficámos ligados. Agora neste disco já não fazia sentido.

Como é que houve a decisão de dirigir a música para esse caminho mais específico?


Max – Fomos crescendo com isto até encontrarmos o caminho em que nos sentimos realmente bem. Começámos com 16 ou 17 anos e na altura fomos até ao R&B, ao “Dr. Dres”, Timbalands, mas começámos a ouvir outras coisas e hoje em dia já são coisas ainda mais diferentes. As nossas influências acabam por estar lá, o nosso sexto sentido também. Hoje em dia também já compramos muito vinil dos anos 60 e 70 e para este disco houve essa pesquisa, de como se gravava na altura e que tipo de material se usava.
Demo – E mesmo a nossa direcção também mudou um bocadinho. Sabes quando estás a ouvir música e já nada te bate daquela forma que te inspira, que te faz mexer e curtir. Ainda não tínhamos encontrado aquilo que queríamos fazer.
Max – Sempre foi uma salada de frutas, porque era hip hop, era soul, era funk, era reggae. Era tudo! E faltava-nos definir-nos um bocadinho. Tem a ver com a maturidade: nós crescemos, estamos mais velhos – em todos os aspectos e o disco também transparece isso um bocadinho.

Acaba por ser o resultado da consolidação da vossa ideia relativamente à música.
Max – Sim. Acredito que o próximo disco já será mais nesta linha. Podemos experimentar outras coisas, mas acho que já encontrámos o nosso caminho.

Este “Utopia” também vem um pouco na sequência do seu disco a solo, Max, o “Phalasolo”, que também era muito nesta linha. Este tem mais a vertente hip hop. E o Max dizia que eram canções que não eram muito viradas para o que os Expensive Soul faziam.
Max – Na altura eu já ouvia mais isto e se calhar o Demo não. Agora estamos mais em sintonia.
Demo – Completamente. Eu, principalmente, estava a passar uma fase complicada porque não gostava de nada do que ouvia. É incrível porque voltei tudo atrás – são coisas que já se fizeram – e encontrei aquilo que sinto. Apesar de achar que “Phalasolo” tem um registo e os Expensive têm outro.
Max – Sim, é mais instrumental. Aqui é mais o formato canção.

Nota-se mais o trabalho de equipa.
Demo – Sim. Este para já tem logo os raps, as dicas, os beats.
Max – O “Phalasolo”, para mim, foi uma aprendizagem para poder chegar aqui. Mesmo a nível de produção, por exemplo.

E para si, Demo, o “Phalasolo” também foi importante ou o gosto pela música soul e funk já vem de mais de trás?
Demo – Sem dúvida que é um disco de influência. É um grande disco, muito bem conseguido para qualquer músico, mesmo que não goste do estilo. É bem tocado, bem gravado, boas músicas, boas letras. Quando eu e o Max falámos quisemos transpor um bocado disso para Expensive, que achávamos que precisava disso.

Como foi fazer a passagem dessa concepção da música para um disco? Foi complicado?
Max – Foi natural. Muito por culpa do sexto sentido. Ouvimos muita coisa que vai ficando cá dentro. A ideia deste disco – e que foi o mais difícil – foi juntar uma sonoridade mais antiga aos beats de 2010. E acho que essa mistura foi bem concebida.

É uma coisa que salta muito ao ouvido: é um disco com um som velho. Vem da produção ou dos instrumentos?

Max – É das duas. E também da captação. Os órgãos Hammond podiam ter sido gravados directamente, mas optei por usar antes amplificadores e distorção. Também fiz isso nos baixos, os microfones usados foram os “ribbon”, de fita, antigos.
Demo – Depois acho que há outra coisa: se ouvirmos os discos dessa época, Marvin Gaye ou outros da Motown, são discos muito quentes! É tudo gravado em mesa de válvulas e fita. Hoje os discos são muito clean, limpinhos, brilhantes. Quisemos um meio-termo. Essa produção é obra do Max e foi muito bem conseguido. Acho que é um disco que dá para viajar muito mais do que os outros.
Max – É um disco que é capaz de agradar ao pessoal que gosta das coisas mais comerciais, como o single “O Amor é Mágico”, mas também há outras como “Game Over”, mais underground e alternativo.

Os sopros são também uma novidade nos Expensive Soul.
Max – Já tínhamos feito alguma coisa, mas neste disco está mais presente.
Demo – E fazia sentido, porque o registo deste disco vira-se mais para este tipo de som, para o uso de metais.
Max – Também já sabíamos que queríamos trabalhar com eles ao vivo e então pusemo-los logo em disco. Agora tocam em todas e mesmo aquelas em que não tocavam, nos discos anteriores, fizeram arranjos.
Demo – E para nós é uma combinação perfeita: temos tudo a ser tocado ao vivo em palco, é uma combinação muito mais orgânica.

E ao vivo, como vai ser passar essa sujidade toda para o vivo?
Max – Já o fizemos, mas tivemos de aumentar a banda. Agora este disco já foi pensado para ser mais fácil transpor para o vivo. Temos muitos ensaios, mas está a soar bem.
Demo – O importante são as dinâmicas – e que este disco pede muito mais.
Max – Às vezes há quatro teclados em simultâneo e isso é complicado!
Demo – E tem corrido optimamente bem! Principalmente para mim, que estive este tempo parado. Estava com fome disto, das pessoas a cantarem as nossas músicas.

O Max fez o “Phalasolo”, nesta paragem dos Expensive Soul. E o Demo, fez alguma coisa ligada à música?
Demo – Eu conciliei com a minha vida de DJ...
Max – Eu perdi dinheiro, ele ganhou! (risos)
Demo – Eu andei a ouvir muita coisa, a sacar muita informação. Mas sempre a par das coisas. O “Phalasolo” é como se fosse meu. E mais, ainda o álbum do Max não estava feito e já havia canções para Expensive.

Só mais duas curiosidades: como é que o Max, com uma voz tão grave, canta agudos desta forma?
Max – Pois, é estranho.... (ri-se)
Demo – É como o James Brown, também ninguém o percebe!

E outra: o “Phalasolo”, o seu disco a solo, foi um disco gratuito, de download na Internet. Acabou por perder dinheiro, não é?
Max – A minha ideia era fazer muitos concerto e isso não aconteceu. Só dei dois... E 2009 foi um ano muito mau. Só algumas bandas é que fizeram concertos e passou-nos ao lado. Mas eu cheguei às pessoas que queria chegar. Mas fiquei com pena de não ter tocado mais porque preparei tudo para ficar muito porreiro ao vivo, com uma banda do carago!
Demo – Mas este ano já está melhor, acho que as pessoas já se começaram a organizar.

Pensa em voltar a repetir essa experiência?
Max – Por exemplo, se fizer um seguimento de “Phalasolo” talvez faça a mesma coisa!  Porque a solução não está em vender discos. Mas percebo que quem gosta de música queira ficar com uma recordação. Lembro-me que havia muitas pessoas que queriam mesmo comprar o disco.
Demo – Chegámos a ponderar em lançar este “Utopia” apenas em vinil. Vamos editar uma edição especial em breve. Antes prefiro mil vezes ouvir um vinil. Quem quer música digital tem o iPod.