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Klepht apresentam novo álbum

"Hipocondria" Este é o nome do novo álbum dos Klepht. O projecto era "ambicioso", queriam gravar nos EUA. Queriam e gravaram, mesmo depois de um "não" da editora, os cinco rapazes seguiram em frente. Foram ao encontro da produtora Sylvia Massy, que já gravou com mais de vinte bandas internacionais, entre elas os Foo Fighters. E assim nasceu este trabalho que apresentam hoje, no Hard Rock, em Lisboa, às 22h.

 

 

 

Créditos: João Nogueira

 

O que quer dizer este “Hipocondria?

Diogo Dias - Estivemos mês e meio no meio do nada a gravar. E é complicado quando estamos a gravar um álbum, estar sempre a bater nas mesmas músicas, às tantas já duvidamos de tudo, já começamos a desesperar uns com os outros. É um processo complicado, o de gravação de um álbum. “Hipocondria” é um estado de espírito em que a pessoa pensa que tem uma doença mas na realidade não tem. O estar em estúdio às tantas julgamo-nos doentes porque não conseguimos concluir uma música, até a acharmos perfeita, e nunca está perfeita. Até termos o álbum na mão e o lançarmos. É um processo em que pensamos que estamos doentes e às tantas arranjamos a cura que é fazer o álbum. Além disto tudo, é um tema totalmente actual, tínhamos vindo do verão da Gripe A e a nossa sociedade é hipocondríaca, ultimamente temos visto vários artigos a falar de hipocondria. O importante é que “hipocondria” é neste contexto uma coisa positiva, o ultrapassar dos medos que todas as pessoas têm e que também tivemos no processo de gravação.

 

Este é um álbum mais maduro?

Mário Sousa - Esperamos e acreditamos que está mais maduro e que procurámos coisas novas, instrumentos novos, sonoridades novas, sem perder a essência do som dos Klepht.

D.D. - E todo o processo de irmos para os EUA, gravar com uma produtora de nível internacional, a Sylvia Massy, que já tinha trabalhado com os Foo Fighters e outros,  acho que isso nos deu para crescer em estúdio. Estarmos um mês e meio fechados em estúdio deu para trabalharmos mais as músicas, exaustivamente. Se o primeiro álbum foi composto em cinco anos, este foi em poucos meses. É mais coeso, mais maduro.

 

 

 

 

 

Pegando na vossa estadia nos EUA e no facto da vossa editora ter recusado o projecto, como é que isso aconteceu?

Filipe Contente – Sabemos que fomos com uma proposta um pouco fora do normal e exigente. Era o rumo que queríamos para nós. Era o projecto certo. A banda precisava de uma nova experiência, aprender com pessoas que vissem a música de uma forma diferente. Só o facto estarmos nos EUA e a trabalhar com uma produtora que já ganhou dois Grammy, que trabalhou com 20 bandas de topo mundial, isso é um desafio muito grande. A editora não concordou, não quis avançar com o projecto, era caro e demasiado ambicioso. É um projecto que assumimos que não é normal para uma banda que só tem um álbum. É uma loucura. Talvez no décimo álbum... É claro que uma editora dá sempre jeito, mas sentimos que o mercado da música está a mudar e que havia espaço para fazermos uma edição de autor, 100 por cento independente.

 

O que procuraram na viagem aos EUA e o que encontraram?

F.C. - Acima de tudo uma motivação extra, uma nova forma de trabalhar, um profissionalismo muito diferente de cá, trabalhar sempre com prazer e dedicação, e queríamos sentir isso. A Sylvia acreditava mesmo que este álbum, estas músicas tinham valor. O que tivemos? Tivemos isso mesmo. E trouxemos uma ligação com as pessoas de lá. É difícil a música portuguesa entrar lá, mas se um dia quisermos lá entrar será mais fácil. A outra parte foi a parte da loucura. Foi uma experiência rock and roll, curtimos à grande lá.

D.D. - E tornámo-nos campeões do bowling. Só havia um sítio para nos divertirmos à noite. Saíamos do estúdio e íamos para lá.

F.C. - Weed é uma vila muito pequena. O que permitiu que nos concentrássemos no que estávamos a fazer. Se fosse cá era sempre diferente.

 

A musica “Calma” tem a ver com a banda? Como nasceu?

D.D. - A história da calma é o começar de novo. É a hipocondria que se estava a instalar naquela casa. Os prazos limitados, a escrever, a compor, fazer arranjos finais, muita pressão, muito stress e era preciso ter calma. A própria sonoridade transmite calma. Fala do estarmos de volta, do agradecer a todos os que nos acompanharam no 1º álbum e do cumprir um sonho. Que era o que queríamos com este álbum. Desde sempre sonhámos gravar um álbum nos EUA com uma produtora de renome. É um brinde à banda.

 

 

Um site, o MySpace, o facebook... são ferramentas essenciais hoje em dia?

F.C. - É a que utilizamos mais no contacto do dia-a-dia, para a comunicação rápida. Temos o feedback rápido de um tema. Há uma história surreal, recebemos um dia um e-mail de uma pessoa que ouviu o “Embora doa” na rádio, e que chegou a casa e decidiu doar 1500 euros à Unicef, porque a música lhe tocou. Essas são as coisas que achamos que têm mais valor.

 

De que falam estas músicas?

D.D. - São desabafos temporais, o que estás a viver no momento. O outro álbum demorou cinco anos a ser feito. Estas músicas foram escritas em cerca de 3 meses. Talvez esteja mais uniformizado. Fala da banda, de relações, amizade e amor, fala de paixões, a nossa paixão pela música, das dúvidas, dos medos, da hipocondria e fala da cura para isto tudo. O porreiro das letras é conseguires atingir as pessoas e a intenção que dei quando escrevi certas palavras para ti não têm o mesmo sentido, é a pessoa ter liberdade para dar a interpretação que quiser. E isso também nos dá gozo.

 

A gravar nos EUA, não pensar fazer músicas em inglês?

M.S. - A produtora fez força para que voltássemos lá e regravássemos alguns temas sem inglês. É uma ideia que ficou no ar.

 

Klepht significa guerrilheiros gregos. Qual a vossa luta?

F.C. - O nome foi dado antes de Portugal perder com a Grécia... (risos), depois já não deu para mudar.

D.D. - A nossa luta é essa mesmo. Dez anos a tocar sem ter um álbum. Uma banda que só toca originais manter-se durante dez anos junta... Normalmente as bandas comemoram dez anos... E depois é esta batalha toda de ires às editoras. Era necessário o espírito de guerreiro para nos mantermos vivos, ao longo deste tempo todo. É uma luta pelo nosso sonho que é a música.