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Jornal Metro

O maior jornal diário do mundo

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Mika: "Se escrevermos sobre as coisas, podemos conquistá-las"


 

 

 

Mika regressa hoje a Portugal para um concerto no Pavilhão Atlântico. Músico inglês vem mostrar o seu segundo disco, mais "dark" e mais "gore": "The Boy Who Knew Too Much”

Esta vai ser a sua segunda vez aqui em Portugal. São boas as memórias que tem de estar cá?
Sim, a primeira vez que aí estive em trabalho foi no Super Bock Super Rock, em 2008 e foi muito divertido. Estava muito calor e a atmosfera do público era excelente. Lembro-me que tocámos depois dos Duran Duran. Mas sabes que me senti frustrado: era um ambiente de festival, não tinha o meu show completo. Estou muito contente por poder voltar com a minha produção, com o meu palco, as minhas luzes, o meu design. Vou considerar esta a minha primeira vez!

Tem o seu espectáculo próprio e um novo disco. É verdade que este “The Boy Who Knew Too Much” é um pouco a segunda parte do primeiro álbum?
Sim, mais ou menos. Quis pegar no mundo de fadas, no mundo imaginário que construi com o primeiro disco e levá-lo para outro sítio. É um bocadinho mais “dark”, ainda fala da minha adolescência, mas é como a parte II. O interessante é o espectáculo ao vivo: podes imaginar que ao vivo, as várias canções misturam-se e criam o show que sempre quis ter.

Diz que é mais “dark”. Mas fala mais da adolescência?
Sim, das coisas mais dolorosas que me aconteceram e que, no final de contas, me acabaram por levar para a música. É mais gore, como contos de fada góticos. Soa a feliz, mas as letras podem ser bastante torcidas, em certas partes. Não sei... [pausa] ouviste o disco? Podes descrever?

Sim, claro. Parece-me bem essa associação ao “gore”. A mim todo o ambiente que cria faz-me sempre recordar um pouco as imagens de filmes do Tim Burton. Não sei se concorda...
Acho que sim. Penso da mesma forma e tenho-o dito. E assumo-o com orgulho. Eu quero construir esse mundo à Tim Burton, doce, mas escuro, onde todas as coisas “merdosas” da nossa vida também nos podem fazer sorrir e dançar. Há quem diga que isso não faz sentido nenhum. Quando comecei a escrever o disco fiz-me uma série de perguntas: “porque é que estou a fazer isto?”; “Para que é que eu quero um segundo álbum?”; “O que é que quero daqui a 15 anos?”. E decidi que era louco o suficiente para acreditar que havia um lugar no mundo para minha música e para o meu mundo visual: espectáculos, artes visuais, etc.

Gostava de lhe perguntar, na sua carreira, qual foi a história mais difícil de pôr em música. E também, no oposto, qual é a história que mais se orgulha de ter contado!
Estou muito orgulhoso de ter escrito “Toy Boy”. Fala de sexualidade, da identidade. É autobiográfica, é sobre perda e dor no amor, mas de uma forma inteligente. É como um livro para crianças: fala de coisas boas, mas só nos apercebemos quando temos 18 anos. Quando temos 10 anos pensamos apenas que é gira. E depois, uma canção como “Rain” é muito difícil. Tal como “Relax” - tiveram 11 ou 12 versões! É difícil escrever bem sobre as coisas tristes-felizes, porque devem ser para as pessoas dançar e é difícil equilibrar.

A sua música fala muito de emoções. Também a usa para sarar algumas dores ou tristezas?
Sim, acho que se pudermos escrever sobre as coisas, acabamos por conquistá-las. Sobretudo se as escrevermos de uma forma a que ela entre noutra personagem. Damos-lhe outro mundo. Como se aquela parte da tua vida conseguisse ganhar outra casa e tu pudesses seguir.

E do concerto de hoje: o que vamos ter de novo?
Imagina que estás na tua secretária e encolhias. Tens apenas dois centímetros de altura e tudo à tua volta é enorme! É esse o sentimento que estou a criar no espectáculo. Tudo se torna enorme, mesmo enorme. Há um livro gigante e é esse livro gigante que conta a história de um rapaz, o que sabia de mais. É um espectáculo muito teatral, é concebido por uma senhora que constrói cenários de óperas. O designer de luzes é quem faz os cenários da Madonna. A minha ideia é construir um cenário pop, muito teatral. São duas horas noutro mundo!

Apenas uma curiosidade: conhece a saga chamada “Artur e os Minimeus”, de Luc Besson?
Não... Como se chama?

“Artur e os Minimeus”.
Ah, sim, sim! É uma animação. Nunca vi. É bom?

Bem, enquanto descrevia dos seus concertos fez-me lembrar os filmes do jovem Artur, que também encolhe para um mundo de criaturas muito mais pequenas em que tudo é maior do que ele e tem dois centímetros!
Que fixe! É mais ou menos como isso: como é que reagias ao mundo se fosse tudo muito mais pequeno? É esse o conceito.

 

 

Sim, a primeira vez que aí estive em trabalho foi no Super Bock Super Rock, em 2008 e foi muito divertido. Estava muito calor e a atmosfera do público era excelente. Lembro-me que tocámos depois dos Duran Duran. Mas sabes que me senti frustrado: era um ambiente de festival, não tinha o meu show completo. Estou muito contente por poder voltar com a minha produção, com o meu palco, as minhas luzes, o meu design. Vou considerar esta a minha primeira vez!

 

Tem o seu espectáculo próprio e um novo disco. É verdade que este “The Boy Who Knew Too Much” é um pouco a segunda parte do primeiro álbum?

Sim, mais ou menos. Quis pegar no mundo de fadas, no mundo imaginário que construi com o primeiro disco e levá-lo para outro sítio. É um bocadinho mais “dark”, ainda fala da minha adolescência, mas é como a parte II. O interessante é o espectáculo ao vivo: podes imaginar que ao vivo, as várias canções misturam-se e criam o show que sempre quis ter.

 

Diz que é mais “dark”. Mas fala mais da adolescência?

Sim, das coisas mais dolorosas que me aconteceram e que, no final de contas, me acabaram por levar para a música. É mais gore, como contos de fada góticos. Soa a feliz, mas as letras podem ser bastante torcidas, em certas partes. Não sei... [pausa] ouviste o disco? Podes descrever?

 

Sim, claro. Parece-me bem essa associação ao “gore”. A mim todo o ambiente que cria faz-me sempre recordar um pouco as imagens de filmes do Tim Burton. Não sei se concorda...

Acho que sim. Penso da mesma forma e tenho-o dito. E assumo-o com orgulho. Eu quero construir esse mundo à Tim Burton, doce, mas escuro, onde todas as coisas “merdosas” da nossa vida também nos podem fazer sorrir e dançar. Há quem diga que isso não faz sentido nenhum. Quando comecei a escrever o disco fiz-me uma série de perguntas: “porque é que estou a fazer isto?”; “Para que é que eu quero um segundo álbum?”; “O que é que quero daqui a 15 anos?”. E decidi que era louco o suficiente para acreditar que havia um lugar no mundo para minha música e para o meu mundo visual: espectáculos, artes visuais, etc.

 

Gostava de lhe perguntar, na sua carreira, qual foi a história mais difícil de pôr em música. E também, no oposto, qual é a história que mais se orgulha de ter contado!

Estou muito orgulhoso de ter escrito “Toy Boy”. Fala de sexualidade, da identidade. É autobiográfica, é sobre perda e dor no amor, mas de uma forma inteligente. É como um livro para crianças: fala de coisas boas, mas só nos apercebemos quando temos 18 anos. Quando temos 10 anos pensamos apenas que é gira. E depois, uma canção como “Rain” é muito difícil. Tal como “Relax” - tiveram 11 ou 12 versões! É difícil escrever bem sobre as coisas tristes-felizes, porque devem ser para as pessoas dançar e é difícil equilibrar.

 

A sua música fala muito de emoções. Também a usa para sarar algumas dores ou tristezas?

Sim, acho que se pudermos escrever sobre as coisas, acabamos por conquistá-las. Sobretudo se as escrevermos de uma forma a que ela entre noutra personagem. Damos-lhe outro mundo. Como se aquela parte da tua vida conseguisse ganhar outra casa e tu pudesses seguir.

 

E do concerto de hoje: o que vamos ter de novo?

Imagina que estás na tua secretária e encolhias. Tens apenas dois centímetros de altura e tudo à tua volta é enorme! É esse o sentimento que estou a criar no espectáculo. Tudo se torna enorme, mesmo enorme. Há um livro gigante e é esse livro gigante que conta a história de um rapaz, o que sabia de mais. É um espectáculo muito teatral, é concebido por uma senhora que constrói cenários de óperas. O designer de luzes é quem faz os cenários da Madonna. A minha ideia é construir um cenário pop, muito teatral. São duas horas noutro mundo!

 

Apenas uma curiosidade: conhece a saga chamada “Artur e os Minimeus”, de Luc Besson?

Não... Como se chama?

 

“Artur e os Minimeus”.

Ah, sim, sim! É uma animação. Nunca vi. É bom?

 

Bem, enquanto descrevia dos seus concertos fez-me lembrar os filmes do jovem Artur, que também encolhe para um mundo de criaturas muito mais pequenas em que tudo é maior do que ele e tem dois centímetros!

Que fixe! É mais ou menos como isso: como é que reagias ao mundo se fosse tudo muito mais pequeno? É o conceito.