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Jornal Metro

O maior jornal diário do mundo

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"Tenho muita sorte em trabalhar com Lady GaGa"

No dia em que se soube que a polémica cantora Lady GaGa vem a Portugal em Dezembro, para actuar no Pavilhão Atlântico, o Metro publica uma entrevista exclusiva com o realizor Jonas Arkelund, o realizador responsável por vídeos memoráveis como "Paparazzi" e "Telephone".

 

 

 

“Há uma pressão para me exceder com cada videoclipe”, admite o realizador Jonas Akerlund. Ele é muito conhecido pela sua longa relação profissional com Madonna. Mas ultimamente, os seus clips para Lady Gaga têm ganho mais atenção. Há “Paparazzi”, no qual entra Alexander Skarsgard a empurrar a diva de uma varanda. E não esqueçamos “Telephone”, o controverso mas realmente bom blockbuster de 10 minutos que conta com Beyoncé e Gaga a alcançarem o auge como resposta da música pop a “Thelma e Louise”. Akerlund abre as portas do seu trabalho.

 

Diria que há um regresso dos videoclipes?

É engraçado, eu quase perdi o interesse por eles por uns tempos porque parecia que o mercado não precisava de videoclipes. Nós estávamos a fazê-los e nunca apareciam. Jovens artistas como Gaga e a Internet ajudaram a mudar a vida dos videoclipes. Ela fê--los regressar os anos 90, quando eram engraçados e as pessoas viam-nos e falavam sobre eles. Mas não é só Gaga, são outros vídeos que eu também fiz. Maroon 5, Rammstein e Mika também têm vídeos com muito sucesso.

 

 

Muitos meios de comunicação social dizem que o seu videoclipe da música “Telephone” foi baseado no filme “Kill Bill”. Concorda?

“Kill Bill” nunca foi uma inspiração. A única razão pela qual as pessoas dizem isso é porque nós tivemos o carro que foi usado no filme. Nós queríamos ter um carro diferente. Mas apenas alguns dias antes das gravações, Quentin Tarantino ofereceu-se para nos deixar usar o carro do “Kill Bill”. Toda a comparação foi uma espécie de elogio, mas há muito mais para dizer acerca do vídeo para além do carro.

 

 

Ficou surpreendido pelo vídeo ter gerado tanta controvérsia como gerou?

Nunca se está à espera. O que sabíamos é que nos estávamos nas tintas para as regras – o formato, como as pessoas iriam vê-lo e as regras censórias da MTV.

Os fãs vão à Internet e vêem o vídeo. Tem piada porque foi mostrado no Mundo inteiro. O único sítio onde não foi mostrado devido às regras foi na MTV América. Felizmente, a gestão de Gaga foi forte o suficiente para dizer “vão à m...”. E em termos de criatividade deu-nos mais flexibilidade.

 

 

A MTV mais tarde negou ter banido o vídeo. Mas muitos utilizadores queixaram-
-se por ter demasiada violência entre mulheres. Acha que o público é mais conservador hoje do que era na altura em que o seu trabalho apareceu?

Eu não sabia que a MTV finalmente aceitou o vídeo. Ainda bem para eles. De facto, não há violência contra as mulheres no vídeo. Especialmente se o compararmos com outras coisas na TV. O vídeo é provocador. E todo o bocadinho de atenção é bom no meu portefólio. O vídeo é um misto de Mundo louco. Eu nunca pensaria que ser demasiado sexual é uma coisa má. Eu gosto de sexo. E penso que cabe ao público procurar o que cada um quer ver. Eu não gosto que qualquer um me diga o que eu posso e não posso fazer. A liberdade permite que nos expressemos. Eu confio na sentença do público.

 

 

Como é que funciona o seu processo de criatividade?

Normalmente eu tenho muita comunicação com os artistas, o que torna o processo mais fácil de várias formas. Em regra, começa quando me telefonam e me enviam a música. Tradicionalmente, a produtora manda um comentário muito curto acerca da música e depois eu tenho um ou dois dias para escrever um rascunho. Os realizadores de videoclipes estão normalmente em competição com outros neste aspecto. Mas isso já não acontece comigo, porque eu já faço isto há algum tempo. Para além disso, já todos nos conhecemos. Por isso, às vezes, os realizadores falam abertamente entre eles acerca dos projectos de cada um. Mas em termos específicos, eu tento sempre analisar o artista. Tento descobrir do que fala a música. Como é que vai parecer a arte final do trabalho. Onde é que o artista vai andar em tour. Quais as preferências do guarda-roupa do artista.

 

 

Até que ponto pensou no guarda-roupa de Lay Gaga quando realizou “Telephone” e “Paparazzi”?

Claro que o guarda-roupa dela é uma grande parte de tudo o que ela faz, por isso eu tenho-o em conta. A coisa boa acerca de Gaga é que ela tem uma grande preocupação com a fotografia e com os detalhes. Por isso, nós tivemos muita comunicação, com ideias para trás e para a frente. “Vamos tentar isto como alternativa”. “O que achas deste look?”. O processo passou muito por isto. Ela dá muita importância a tudo o que tem a ver com as suas músicas, visuais, vídeos e actuações. Ela também está rodeada por designers muito talentosos. Tenho sorte em trabalhar com ela.

 

 

Trabalhou repetidamente com Madonna e Lady Gaga, que estão ambas no auge do estrelato pop. Acha que as expectativas são mais altas nesses vídeos?

Eu trato todos os trabalhos de forma igual. Não importa se é a Madonna ou um artista desconhecido. Se eu digo sim a um trabalho, faço-o com o mesmo entusiasmo e os mesmos padrões de sempre. Trabalhei com Madonna durante 12 anos e o bom dessa relação é que nos conhecemos um ao outro.

 

 

Há mais alguém com quem gostaria de trabalhar e não o tenha feito até aqui?

Infelizmente, gostava de trabalhar com Michael Jackson e isso não vai acontecer. Neste momento, estou interessado no mundo de Gaga. Quero trabalhar com artistas novos e jovens.

 

Por Kenya Hunt

MWN Londres