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Jornal Metro

O maior jornal diário do mundo

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A Madame dança?

 

 

 

Quem ainda não foi a uma festa da Madame é porque anda a passar muitas noites a jogar Monopólio em casa. Ou a passar noites a ver filmes rascas do canal Hollywood. Agora a sério: nunca ouviu falar nas festas da Madame?


Bom, esta Madame é o alter ego de Mariana Duarte Silva, uma jovem empreendedora de 31 anos que há três anos largou tudo e voou para Londres. "Tinha o meu emprego, mas ajudava numas festas e trabalhava com [a dupla de DJ] os Stereo Addiction. Quando fui para Londres trabalhei em publicidade, mas decidi dedicar-me a cem por cento à Madame", conta ao Metro.

 

Por terras das "pint", a perseverança de Mariana rendeu-lhe o encontro com Joana Seguro, que trabalhava na área da música. Foi com ela que criou "O Baile", um evento que ainda hoje "promove música portuguesa em Londres e música estrangeira em Portugal".

 

Ao falarmos com a madame, percebe-se o porquê do sucesso do seu negócio: conversa fácil, simpatia e profissionalismo. Parece que tudo foi simples, mas Mariana recorda a difícil "adaptação a Londres". "Tive seis meses em que não sabia se gostava ou se odiava a cidade: é gigante, tudo caríssimo, os amigos que vivem na outra ponta da cidade, o  frio, o cinzento... depois passei de ódio para amor total." Além disso, conta, esta profissão de agente de festas à noite, em discotecas e night clubs, faz com que esteja metida "num mundo de homens, que às vezes não gostam de pagar o que acordaram..."

 

A jovem portuguesa foi daquelas que, nos dias de hoje, decidiu deixar o país e ir à procura de novos desafios. E encontrou o sucesso. Será que Mariana tinha o reconhecimento que tem hoje se tivesse ficado por Portugal em vez de se mudar para Londres? "Não!", responde taxativamente. "Londres mudou tudo. Claro que podia ter continuado a fazer isto e a conciliar com um trabalho que me permitisse fazer o agenciamento informalmente. Mas foi a ida para Londres que me fez conhecer pessoas que me fizeram acreditar que podia fazer disto uma profissão. Se não tivesse ido, pelo menos, acho que não teria tomado esta opção tão rápido", reflecte a empresária.

 

Mas se o mundo dos negócios da noite, como se diz, não é só rosas – e se em Londres a seriedade parece ser outra – o que fez Mariana voltar

para Lisboa? Quer tentar adivinhar? Não, não foi o sol. Quer dizer... mais ou menos... foi outro sol! "Casei-me e o meu marido não quis ir para Londres" (risos). Mas esta é uma madame com os pés bem assentes na terra. Organizada antes de ir para Londres e organizada agora que está de volta. "Não estou nada arrependida de ter regressado, até porque continuo a ir a Londres, a organizar O Baile, também em Londres, e a ter pessoas com quem lá trabalho. Aliás, isso foi uma coisa que sempre me preocupou: nunca perder os meus contactos. Tive esse receio quando fui para lá, mas nunca aconteceu, graças à Internet e ao Skype. Aliás, até acabei por ganhar mais contactos!", salienta.

 

 

Além das noites que agenda para os DJ Stereo Addiction, Rui da Silva, Heartbreakerz (uma dupla de DJ feminina) e Twofold, Mariana organiza agora os fins de tarde de sexta-feira dos meses de Abril e Maio no Miradouro de S. Pedro de Alcântara, em Lisboa, a partir das 18 horas (ver aqui a agenda). E o sucesso está a ser proveitoso para a madame, que está a começar a receber propostas para outro tipo de eventos: "Têm surgido alguns pedidos de outros clientes, por exemplo: a Herdade do Esporão quer lançar um novo vinho para um público mais urbano e ‘trendy’ e pediram-me a mim para organizar a festa. Faço com todo o gosto porque dão-me carta branca para escolher um sítio diferente. É um toque Madame que depende da marca e do conceito."

 

Mas vamos lá ver uma coisa: afinal de contas, para quem não conhece as festas Madame, o que têm de especial? Dão doces às pessoas? Dão dinheiro? Nada disso. São apenas bons momentos. Mariana ri-se e diz: "não sei!". Mas na memória está ainda a primeira festa que organizou há seis anos, no aniversário dos 25 anos: "Foi num sítio, num barracão, onde nunca ninguém tinha ido, no Flying House, perto do aeroporto. Foi com 100 pessoas e foi um sucesso." A partir daí nunca mais parou "e todos os anos as coisas evoluíram. Eram sítios novos, com pessoas que gostavam de festa, bonitas, simpáticas e com bom ambiente. Boa música e isso é muito importante". Ainda assim, o que Mariana diz que é mais importante, no meio deste seu trabalho, é "a promoção, que desperta a curiosidade".

 

 

Fotos de Luís Aniceto©