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Jornal Metro

O maior jornal diário do mundo

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O jazz segundo José

 

Aqui fica a conversa que o METRO teve com José James - o músico nova-iorquino que começa hoje a digressão em Portugal (ver em baixo) - e que serviu de base para o texto publicado na edição desta sexta-feira.

 

Esta vai ser a sua terceira vez aqui em Portugal, estou certo?

Talvez seja a quarta. Eu cheguei a ir tocar uma vez num concerto com o Nicola Conte. Por isso já deve ser a quarta.

 

E as recordações são boas?

Sim, sem dúvida. A última vez  que aí estive foi no Festival Super Bock Em Stock e o público é muito quente, sempre a aplaudir. A Jordana [de Lovely], a nossa vocalista convidada, está-me sempre a dizer que adora Portugal. É incrível.

 

E o público português é um bom público para a sua música?

Sim, sem dúvida. É uma boa combinação de pessoas que querem ouvir música, apreciar, mas que também respondem muito bem, e dançam, expressam-se. Eu gosto muito disso.

 

Sente isso no palco?

Claro, esse calor que vem do público sente-se.

 

Vai fazer agora cinco concertos aqui em Portugal: Estarreja, Portalegre, Coimbra, Lisboa e Caldas da Rainha. São muitas datas!

Sim, estamos a ter muito apoio dos promotores para tocar o novo álbum ao vivo. Acabámos agora de tocar, no fim-de-semana, no Japão, e devemos passar o ano na estrada. Mas estou muito contente de poder ver o Portugal fora de Lisboa.

 

A última vez que esteve cá mostrou o primeiro álbum, “The Dreamer”. Agora é a vez de “Blackmagic”. Como foi fazer este segundo disco depois de um álbum tão elogiado?

Por ter sido tão elogiado, como dizes, acho que me deu muita confiança para arriscar para fazer este segundo disco, para arriscar. Passei muito tempo com DJ, com o Giles Peterson, a ir a vários festivais por todo o mundo. E comecei a conhecer pessoas como o Flying Lotus, Denga, Taylor McFerrin, que me influenciaram na tentativa de chegar a um público mais vasto. Apercebi-me que era a direcção que gostaria de dar a este disco, um pouco mais experimental. Não era que quisesse sair do jazz, ou fazer um disco menos sério, mas queria algo mais acessível, que permitisse às pessoas dançarem.

 

Precisamente, é das coisas que se nota no disco, é mais dançante do que o primeiro. Já tinha pensado nisso quando começou a fazer o disco?

Sim, porque sabia que queria trabalhar com pessoas como Moodyman, ou o Lotus. Frequentei muitos “clubs” em Londres e é giro ver as pessoas a dançar este tipo de música. Então percebi que queria tentar isto. Acho que no jazz pensa-se muitas vezes de forma séria, mas é preciso correr o risco. Não tem de ser necessariamente assim e não é dessa forma que a malta nova ouve música.

 

Sentiu muita pressão para fazer este disco, depois de ter sido eleito um dos maiores talentos do jazz dos últimos anos?

Sim, senti alguma. Mas acho que teria sentido mais se tivesse feito outro disco de “pure jazz”. Sabia que o “The Dreamer” era o melhor disco de jazz que eu conseguiria fazer naquele tempo, por isso precisava de um lado mais “soulful”, explorar isso. Há muita gente que adora o “The Dreamer”, mas agora podem ouvir outro lado.

 

Como é que faz uma música tão relaxante? Qual é o seu processo?

Basicamente vejo a música como construir uma casa. A estrutura vem primeiro: seja eu ao piano ou a ouvir um instrumental de um produtor. Depois quando estou contente com o “mood”, o ritmo, passo ao que chamo a decoração: pintar parede, decorar com um sofá, etc. Eu olho para a música como se estivesse a preparar um quarto para alguém nos ir visitar: umas vezes queremos que esteja confortável, outras vezes, preferimos baixar as luzes e ter um ambiente mais romântico. Nas letras gosto de contar histórias... E sinceramente sinto que há muito amor na minha vida: sou casado e estou muito apaixonado. Mas sempre gostei de deixar as pessoas bem dispostas com a música e palavras, mas desafiá-las, ao mesmo tempo.

 

Como surgiu este nome, “Blackmagic”?

Foi a primeira música que fizemos para o disco. Depois o nome remete para algo que mistura um tom negro, mas que, ao mesmo tempo, é celebrativo.

 

O que é que os fãs que o forem ver num destes cinco concertos podem esperar?

Uma mistura de vários estilos. Gostamos disso, de tocar com profundidade, de ter o máximo de honestidade possível. E estou muito contente de ter a minha amiga Jordana a cantar comigo, porque transporta as coisas para outro nível.

 

Vai ter tempo para passear por Portugal?

Sim, sem dúvida, ver as paisagens, ir para o mar e conhecer as pessoas.

 


A agenda de José James:

Hoje: Cine-teatro de Estarreja, 22 horas (10 euros)

Amanhã: Festival de Jazz de Portalegre, 21h30 (entre 8 e 28 euros)

22 de Fevereiro: Teatro Académico Gil Vicente - Coimbra, 21h30 (entre 12 e 15 euros)

24 de Fevereiro: Museu do Oriente, Lisboa, 21h30 (15 euros)

25 de Fevereiro: CCC - Caldas da Rainha, 21h30 (15 euros)