Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Jornal Metro

O maior jornal diário do mundo

Jornal Metro

O maior jornal diário do mundo

D&G: a dupla da era digital

 

Em Outubro passado, a dupla Dolce&Gabanna, constituída por Domenico Dolce e Stefano Gabbana mostraram um dos mais comentados e polémicos desfiles da temporada. Um desfile marcado por uma mão cheia de  extravagâncias e um show de fazer parar o trânsito com uma colecção em tons carmim e preto, que veio exaltar a herança da marca italiana.

 

Este desfile representou um momento crucial na relação entre a moda e a Internet, com a linha da frente da assistência do desfile repleta dos mais populares bloggers da indústria da moda - o impacto do desfile ganhou com a transmissão de imagens do backstage em ecrãs gigantes Resultado: semanas e semanas de “zum-zums” à volta da colecção.

 

Quatro meses depois, a dupla de designers falam-nos da sua ligação ao passado e a sua recém obsessão pelo futuro digital.

 

Quais são vossas lembranças mais antigas da moda? E como  é que estas influenciam o vosso trabalho actualmente?

 

Domenico Dolce: Eu nasci em Polizzi Generosa, uma pequena cidade siciliana. O meu pai era alfaiate e minha mãe tinha uma loja onde vendia roupas, tecidos e cortinas. Quando a minha mãe estava muito ocupada, levava-me para a alfaiataria do meu pai. Então acabei por crescer entre agulhas e linhas. Não brinquei com soldados e carrinhos, mas com roupas. Fiz o meu primeiro par de calças com apenas 7 anos.

 

 

Stefano Gabbana: Eu não estudei moda e a minha família também não estava ligada a essa indústria. Comecei por estudar design gráfico. Fiquei com o diploma e passados seis meses de trabalho, entendi que o design gráfico não era o que eu queria. O que eu gostava mesmo era moda, apesar de não estar  familiarizado com essa indústria. Amava a Fiorucci e jeans rasgados.

 

 

Muitos designers de moda têm tentado compreender a blogosfera, mas poucos têm a tem acolhido como vocês. O que é que vos levou, na estação passada, a reservar a primeira fila do desfile a bloggers?

 

SG: Queríamos passar uma mensagem forte. Se acreditamos em algo, temos de avançar com isso, mesmo seja sinónimo de quebrar as regras. Tivemos um bom feedback. Também fomos surpreendidos com a quantidade de pessoas que visualizaram os diários pré-shows no nosso site.

 

Desde então os bloggers tornaram-se assíduos.

 

DD: A Internet e os blogs representam uma nova forma de comunicar que nós precisamos e que queremos tomar em consideração para o nosso trabalho.

 

 

O desfile foi considerado um ponto de viragem na relação da moda com a Internet. Vêem o desfile dessa maneira?

 

SG: No passado, as pessoas não confiavam no poder da Internet. Isso porque no mundo de luxo, as sensações que um produto oferece são importantes, muitas vezes mais importante do que o próprio produto.

 

DD: Para nós, as novas tecnologias têm sido sempre importantes. Sentimos sempre a necessidade de estudar e analisar novas coisas para descobrir como  funcionam. Primeiro tivemos que entender quem eram os leitores dos blogs  e depois perceber o que é que estavam à espera e que linguagem usavam.

 

SG: Tivemos que encontrar uma forma de comunicar essas sensações através de um vídeo e não foi fácil porque o mundo da moda sempre foi para poucos, enquanto a Internet sempre foi democrática.

 

Quais são os vossos sites favoritos?

 

SG: Pela minha fixação em cusquices, voto no Perez Hilton.

 

DD:  ...E os blogs de moda, é claro. Adoramos BryanBoy, The Sartorialist, Garance Doré e as imagens do Tommy Ton's no seu blog... e Jack & Jil.

 

 

De que forma a Internet influencia o vosso trabalho?

 

SG: A Internet não influenciam a nossa forma de trabalhar, mas a nossa forma de comunicar. É tão fácil, rápida, acessível e imediata. Na Internet, pode-se encontrar de tudo, é uma maneira perfeita de fazer investigação. Mas quando desenhamos, ainda fazemos uso de papel e lápis.

 

Mesmo em tempo de crise vocês lançaram linhas para  homem e para mulher. Na vossa opinião, o que esta crise tem diferente das outras?

 

SG: Esta crise financeira parece mais forte porque as pessoas tinham atingido altos padrões de vida e ambição. O mercado estava completamente cheio e não podia aguentar mais.

 

A vossa última colecção, quer feminina, que masculina, parece que é um regresso às vossas raízes, concordam? Porque é que sentem a necessidade de olhar para trás?

 

SG: Eu concordo totalmente. Há 25 anos fizemos a primeira colecção feminina Dolce & Gabbana e quando começamos a criar a colecção Primavera/Verão 2010 sentimos a vontade de olhar o nosso passado.

 

DD: Ás vezes, para nos compreendermos a nós próprios, perceber o que realmente gostamos é necessário experimentar caminhos diferentes. Mas com esta colecção queríamos voltar ao DNA do Dolce & Gabbana Tanto as colecções femininas, quer masculinas, podem ser descritas em três palavras: Sicília, alfaiataria e tradição.

 

SG: A nossa moda reflecte quem somos, mas nestes momentos difíceis, sabemos que o mundo inteiro precisa de olhar para as coisas que as fazem sentir seguro.

 

 

A rainha da música pop, Madonna, dá o rosto pela vossa nova campanha publicitária. O que é que ela tem que vos tem inspirado tanto?

 

SG: Conhecemo-la em 1991 em Nova Iorque num restaurante chamado Da Silvano. Eu estava tão nervoso antes da nossa reunião que fumei um cigarro de uma só vez.

 

DD: Após esta primeira reunião, ficamos mais próximos e começámos a trabalhar juntos para a sua “Girlie Show Tour”. Criamos mais de 1.500 fatos.

 

SG: Fizemos desde "Ray of Light" até a "Confessions on a Dance Floor" e “Hard Candy", o álbum de covers. Trabalhamos em vários projectos juntos.

 

DD: Nós temos a mesma maneira de trabalhar. Ela é uma “control freak” ,tal como nós. Ela envolve-se muito em todas as coisas que faz. Não tem medo de dizer o que pensa. E nós amámo-la por isso!

 

 

 METRO WORLD NEWS