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Jornal Metro

O maior jornal diário do mundo

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A sanita das lamentações

Quer divorciar-se, perder peso ou ter mais sorte no dinheiro? Vá ao templo Mantokuji, no Japão, escreva num papel os problemas dos quais se quer livrar e deite-o pela sanita abaixo. Sem mais nem menos.

Depois de uma reza, os problemas desaparecem com a água, "para sempre", segundo os responsáveis pelo templo. Onde é que eu já tinha ouvido que os japoneses têm a fama de inventarem tudo?

 

Estes são "a Susan Boyle" das Filipas

A banda entra em palco e causa uma imediata impressão na mesa do júri. Estamos no programa televisivo "Filipinas Got Talent", o mesmo onde a famosa Susan Boyle se tornou uma estrela na versão inglesa, para espanto do mundo. Aqui, o vocalista é, na verdade, uma rapariga, embora pareça um rapaz. Na t-shirt que traz vestida, tem escrito "Don't stop believing", isto é, "Não deixes de acreditar". O pianista tem uma clara deficiência física que poderia impedir qualquer movimento nas teclas. Depois, começam a tocar e a cantar. E o resultado é o que sê vê...

Abençoado sejas, Belzebu

Os Diabo na Cruz, mais um  grupo da FlorCaveira (que conta com Jorge Cruz, B Fachada, Bernardo Barata, João Pinheiro e João Gil ), tem feito um enorme sucesso, pela união da música tradicional portuguesa com o rock. O Metro foi maroto e levantou um bocadinho as sete saias “às meninas” deste quinteto para tentar desvendar as origens do grupo e como surge um dos melhores discos portugueses de 2009, “Virou!”. Jorge Cruz explica. O grupo toca amanhã no São Jorge, em Lisboa, e sexta-feira no Passos Manuel, no Porto.

 

Como nasceu este grupo?

Isto é um grupo que surge no ambiente musical de Lisboa. São todas pessoas de bandas de Lisboa que se cruzavam e juntámo-nos um bocado para perseguir uma ideia que eu já tinha, de mexer com a música popular portuguesa, num ambiente de rock, até porque somos todos músicos de rock. Começámos a trabalhar há ano e meio, só com três, mas acabámos por fazer a junção na voz do B Fachada, a viola braguesa que ele toca, mais as teclas. Começou comigo, com o João Pinheiro e Bernardo Barata.

 

O Jorge já tinha tido uma banda antiga, os Superego, que também tinham um pouco este conceito.

Não inicialmente, mas quando a banda terminou já era um bocado essa a ideia. Na altura não estava um ambiente muito convidativo para o que estávamos a fazer, encontrámos muitos obstáculos. Também era a altura de vida em que se está a mudar de ser rapaz para ser homem e tem que se fazer mais à vida. É uma altura difícil para uma banda continuar, se não houver um objectivo muito exequível.

 

De onde vem o interesse pela junção entre o rock e o folclore? Já foi definido como Folc'roque.

Não me atrai muito a palavra folclore, precisamente pela ideia quase turística. Eu cresci a ouvir música popular. Nasci em 1975 e os meus primeiros dez anos foi a ouvir essas músicas, que se ouvia lá em casa, e a ir a concertos do Zeca Afonso, Sérgio Godinho, Trovante. Formei-me um pouco mais influenciado pela música anglo-saxónica e a querer fazer rock. Mas às tantas decidi juntar as duas coisas, que era o que fazia sentido para mim.

 

Que dificuldades são essas que enfrentou nos Superego? O que acha que mudou para ser este o momento para mostrar estas ideias?

Sinto que as pessoas estão preparadas para receber as ideias. Acho que mudou muita coisa, a aceitar-nos mais. Viemos de um trauma desde a ditadura, um trauma existencial a que o José Gil chamou “medo de existir” e que, gradualmente fomo-nos libertando, porque temos que lidar com quem somos.

 

A ligação à editora FlorCaveira  - que tem lançado tantos músicos – ajudou à amostragem do Diabo Na Cruz?

Ajuda porque vir da FlorCaveira faz com que as pessoas queiram ir ouvir mais depressa. A editora conseguiu criar essa credibilidade e atenção. Mas nós, que estamos juntos, associados à FlorCaveira, à AmorFúria ou à Catadupa, a malta que se tem juntado, tem é coisas em comum. Não é a editora que começou a encontrar músicos e pô-los para o mundo, tipo Motown. Já existíamos e fazíamos músicos antes de aparecer a FlorCaveira.

 

Mas acaba por ser um bocado a lógica da cooperativa, que todos juntos são mais fortes.

Acho que sim. Aliás, os líderes disto tudo, o Tiago Guillul e outros, não gostariam, mas acho que tem muito de cooperativa, mesmo no lado esquerdista que não lhes agrada muito! (risos)

 

Ficaram surpreendidos com a reacção ao disco, já que foi considerado um dos melhores discos portugueses de 2009?

Até certo ponto sim, mas não fizemos a banda para esse reconhecimento. Mas também tínhamos consciência que estávamos a fazer uma coisa interessante e a tentar fazer um certo caminho musical, em busca de um som, de uma união de linguagens. Não chegámos a nenhum fim. Percebemos o interesse que tinha para nós, portanto pensámos que também teria para outras pessoas. Está a superar as expectativas.

 

O facto de os membros terem as suas carreiras a solo pode ser algum impedimento para a continuidade dos Diabo na Cruz?

Não é altura nem temos falado sobre isso. Mas percebo que a determinada altura tenhamos de conversar. Antes de mais sentimos o privilégio de ter chegado aqui, de termos um objecto final em conjunto. Podemos tocar ao vivo e divertir-nos, que é isso que acontece. Há que usufruir e vamos ver onde nos leva, porque isto não é uma coisa cerebral, não foi uma coisa feito a partir de castings. Enquanto nos divertirmos, vamos continuar.

 

Porquê a escolha do Vitorino para tocar na primeira música no disco?

Já no meu disco anterior tinha feito uma versão da “Lua Extravagante”, um tradicional alentejano, e penso que isso ter-lhe-á chamado a atenção. Foi uma honra enorme, porque é uma pessoa por quem tenho uma enorme admiração e foi um convite natural, que já tinha sido conversado em bastidores. Acabou por ser neste momento e veio mesmo a calhar, foi como dar-nos autorização de mexermos sem pudor nas nossas linguagens.

 

Está prevista a participação do Vitorino nos vossos concertos?

Não o tenho chateado com isso, mas espero que venha a acontecer. Acho que neste momento é importante de nos apresentarmos como somos. Se houver essa oportunidade, não faz sentido que seja só um tema, mas antes uma coisa especial, que o honre e homenageie.

 

 

Vão tocar amanhã no Cinema São Jorge e sexta-feira no Passos Manuel, no Porto. Como tem corrido a digressão?

Tem sido muito bom, temos estado muito entusiasmados e temos tido muito prazer em tocar a nossa música. As pessoas reagem bem porque a música talvez lhes diga qualquer coisa: talvez remeta para os nossos antepassados, mas também está situada no século XXI. É divertimento, apesar de termos momentos mais profundos no concerto. Muito nos espera agora. O concerto do São Jorge é uma sala especial e a nossa ideia nunca será confinar isto a Lisboa e Porto, porque a nossa música inspira-se no trabalho rural, naquilo que é a música de ceifa, a música da tradição oral. Queremos tocar em Portugal inteiro.

 

Disse que não gosta muito da ligação ao conceito do folclore, mas escolheram para a capa do disco, uma imagem apelativa, uma dançarina de um rancho. De quem é a autoria da capa?

É do Paulo Ribeiro, da FlorCaveira, e tivemos de ter autorização para ter uma imagem tão ousada na capa de um disco de uma editora cristã. Teve de ser alguém da própria editora. É uma ideia simples, mas estamos a mexer com alguns ícones daquilo que é português. Mas somos uma banda de rock, mas pareceu-nos uma boa ideia ter uma imagem despretensiosa e descomplexada da mulher portuguesa, com as belíssimas vestes minhotas, mas com a sensualidade que as mulheres portuguesas sempre tiveram, mas que antigamente havia pudor em demonstrar. 




Um barco que voa

Um jovem mecânico criou algo capaz de andar sobre terra e mar, para além de poder também conquistar os céus.

Rudy Heeman inspirou-se no modelo "hovercraft" e o resultado está à vista, passados onze anos. Entre os materiais utilizados, o destaque vai para a fibra de vidro e as partes de uma churrasqueira. Agora, o neozelandês só pensa em fazer negócio.

 

Primeiras imagens do tsunami no Havai

Felizmente, o tsunami que ontem atingiu o Havai não causou estragos maiores, mas o vídeo que se segue não deixa de intimidar. O Centro de Alertas de Tsunamis do Pacífico informou que foram duas as ondas gigantes, com um intervalo de 20 minutos. O maremoto foi causado pelo sismo que no sábado abalou o Chile.

ANAQUIM: Um anão com olho de falcão

"A Vida Dos Outros" é o disco de estreia da banda de Coimbra, fundada por José Rebola: interpretação em português, inteligente, bem humorada e repleta de histórias. Já nas lojas.

 

Para quem não conhece, de onde vem este nome, Anaquim?

Para quem não conhece, poderá conhecer um muito parecido, que é o Anaquin, uma personagem da Guerra das Estrelas. O nome surgiu como uma brincadeira que foi levada mais a sério. O Anaquin é o salvador da pátria nos primeiros três episódios da Guerra das Estrelas e transforma-se no vilão... há uma dualidade que eu achei interessante explorar: representa tudo o que há de bom e depois tudo o que há de mau. Acho que todos temos essa dualidade em nós. A mesma substância da pessoa, consoante o que lhes acontece ou a maneira como reagem é que as faz tornar no herói ou no vilão de uma história.

 

Nesse aspecto, neste primeiro trabalho, qual é a faceta que o seu Anaquim toma?

O engraçado da personagem é que ela é uma personagem em branco. A ideia é essa: a personagem é a parte de nós que se questiona e que não se deixa levar por um passado ou uma tradição. Supostamente o Anaquim é um duende com molas nos pés e que anda pelos telhados e que faz o papel de observador e faz as suas crónicas sobre a vida dos outros. Daí o nome do CD. Mas pergunta-se: “Isto é assim porquê? Porque sempre foi assim ou há mesmo uma razão para ser assim?” É esse questionar e averiguar se pode haver uma mudança, “julgar” as coisas sem ter associado o peso de um passado ou de uma tradição. Um olhar fresco sobre a sociedade.

 

As histórias que ouvimos neste disco são pessoais ou são histórias de e sobre outros?

É uma mistura. São coisas que vivo ou vivi e coisas que vejo os outros viver. E acho que ninguém consegue contar uma história sem ter lá um bocadinho do seu ponto de vista. Estas crónicas todas têm um bocadinho de mim enquanto letrista.

 

Como nasceu a banda?

Eu há uns tempos tinha outro grupo, os The Cynicals, mais virado para o punk rock, para o cabaret. Tinha algumas canções guardadas, noutra linguagem musical e também em português, e que ficaram na gaveta. Passado uns tempos comecei a aperceber-me que aquelas ideias já tinham atingido um grau de maturidade que valia a pena mostrar a alguém. E começou por aí. Em Coimbra mostrei ao Nuno Ávila, da Rádio Universidade, que passou os temas ao JP Simões que estava a fazer o programa de bandas “KM Zero”, e formou-se uma pequena bola de neve. Aí convidei amigos que abraçaram de imediato o projecto e foi uma evolução perfeitamente natural.

 

Qual é a mensagem que pretende passar?

É muito simples e em dois planos: o pessoal e o social. Mas em qualquer um deles há um olhar e ver o que gostamos e o que não gostamos . E o que não gostamos, ver como podemos mudar. Num plano pessoal o Anaquim fala dele – ou de mim, pronto! – e num plano social é mais apontar o dedo e perguntar se há possibilidade de fazer as coisas de outra maneira. Não tenta ser uma ordem, nem uma lição de moral: é uma opinião e um ponto de partida para uma conversa.

 

 

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