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Jornal Metro

O maior jornal diário do mundo

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Entrevista com Stuart Staples (Tindersticks)

Ao telefone de Limousin, a sua nova casa depois de se ter mudado de Londres para França, Stuart Staples conta ao METRO como é que os Tindersticks renasceram após uma paragem de cinco anos. “Acho que houve a possibilidade de corrigir as coisas e pô-las bem. A estética da banda agora é tão forte que permite uma liberdade muito maior.” Os Tindersticks começam hoje, nas Caldas da Rainha, uma digressão pelo país – que passa fora das grandes cidades, Lisboa e Porto - para mostrar o novo álbum, "Falling Down a Mountain".

 

Acha que este álbum é o mais alegre, mais positivo dos Tindersticks?

Na sua essência, não tenho certeza... Mas tem um espírito de aventura. E isso transmite alguma alegria que acredito que envolve este disco.

 

Desde o último álbum, “The Hungry Saw”, que mudou de residência: passaram de Londres para Limousin, em França. Isso mudou de alguma forma a sua perspectiva de vida?

Acho que essa saída de Londres fez mais parte da mudança, do que antes a mudança por si só. Foi uma espécie de manifestação física de um desejo de mudança, para ter um novo sítio para olhar, diferentes coisas para ver e também ter uma nova forma de trabalhar. Não foi a saída de Londres que me mudou, mas antes a minha mudança que pediu essa mudança para França.

 

Mas que novo estado dos Tindersticks é esse de que fala?

Depois de nos termos reunido – estivemos parados cinco anos – decidimos juntar-nos durante uns dias, para ver o que acontecia. Depois disso, voltámos a encontrar-nos. E outra vez, e outra vez... E fizemos o “The Hungry Saw” (Que agora, olhando para trás, tem um ar de muito experimental). Desde então o sentimento entre nós tem vindo a crescer, parece que há um sentimento fresco, de estar juntos e fazer música. Estamos livres do passado e a pensar no nosso presente e futuro.

 

É curioso que depois do hiato, fizeram dois álbuns em cerca de um ano e meio...

Demos cerca de 80 concertos com o “The Hungry Saw” e esta foi a primeira vez que, após uma digressão desta dimensão, tivemos o desejo imediato de fazer algo novo. No passado era mais: “ok pessoal, vemo-nos daqui a uns meses”. Precisávamos de estar afastados. Mas desta vez havia algo a crescer e pedir para estarmos juntos... 

 

 

Mas acha que foi essa separação que ajudou a fazer crescer a fome de fazer música?

Acho que foi a separação, mas também em 2003 havia muito erros na banda, digo isto na forma de fazer música. Acho que nesses cinco anos houve a possibilidade de corrigir as coisas e pô-las bem. A estética da banda é tão forte, agora, que permite uma liberdade muito maior. Estamos muito mais confiantes relativamente àquilo que procuramos e queremos. Temos mais espaço para experimentar fazer música.

 

No seu caso, mesmo com o hiato, nunca parou de fazer música. Sempre teve os projectos pessoais. É um criador compulsivo?

Bem... (risos) ... acho que... se não sou... (pensa) Acho que sim! (ri-se) São as ideias que me deixam vivo e me dão um propósito para avançar e explorar coisas. Tem tudo a ver com as canções irem à tua procura e tu abraçá-las. Eu poderia ser feliz se deixasse de fazer música, mas quando uma pessoa é guiada por ideias, a partir do momento em que eu as ignorasse, isso iria deixar-me doido.

 

O último álbum foi gravado em oito dias. Este também foi assim impulsivo?

Eu acho que o "Hungry Saw" não foi impulsivo: foi importante para percebermos que estávamos vivos. O anterior, “Waiting For The Moon”, demorou anos a ser feito... e acabámos por detestá-lo durante o processo. Com este “Falling Down a Mountain” não houve limites. Houve exploração de ideias, uma liberdade e uma iluminação relativamente às ideias muito interessante. Foi do género: “Quando estiver pronto, está!”

 

Num período tão positivo para os Tindersticks, num crescendo, escolheram para o título do disco algo como “a cair de uma montanha”. Porquê?

A canção “Falling Down a Mountain” mostrou-nos o caminho que o álbum deveria seguir. A forma espontânea como surgiu foi muito interessante e foi muito definidora do que sentíamos. Para mim fez sentido porque acho que, depois desse tema, o álbum entra numa fase descendente. É uma viagem acidentada até ao fim.

 

Vão começar a digressão em Portugal, fora das maiores cidades: Lisboa e Porto.

Foi daquelas coisas que nos propuseram ainda antes de termos um álbum. E pareceu-nos um bom sítio para começar. Já há 16 anos que tocamos em Lisboa e Porto que acho que já ganhámos o direito de ir tocar a outros sítios! (risos) Estou ansioso para tocar em Sintra, é um sítio muito especial para mim.

 

Como vão ser os espectáculos?

Acho que vão ser uma mistura dos nosso álbuns... estamos entusiasmados com as músicas deste disco, mas queremos revisitar algumas canções que não tocamos há muito tempo.

 

Uma curiosidade, só para terminar, Stuart: Como é que os Tindersticks são aceites nos EUA, depois de terem participado com a música “Tiny Tears” na famosa série “Sopranos”?

Adoro tocar nos EUA, mas não temos qualquer impacto por lá. Para ter sucesso, é preciso querer e passar tempo por lá. Olhando para trás, nós nunca tivemos muito dispostos a ir em digressão para os EUA durante mais do que três semanas (ri-se). Há sempre algum interesse do público em nós, mas nunca foi um gosto massivo. 

 

 

 

CONCERTOS DOS TINDERSTICKS EM PORTUGAL:

 

3 de Fevereiro: Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha 

4 de Fevereiro: Centro Cultural Vila Flor, Guimarães

5 de Fevereiro: Centro Cultural Olga Cadaval, Sintra 

6 de Fevereiro: Teatro Municipal da Guarda 

7 de Fevereiro: Cine-Teatro de Estarreja